O perigo das Fake News para nós como publicitários, cidadãos e seres humanos

November 8, 2017

 

 

Você deve ter lido ou ouvido a expressão “Fake News” com frequência nos últimos tempos. É que cada vez mais esse assunto está causando uma série de polêmicas que envolvem desde pequenas empresas até governos. Mas antes de falarmos sobre ele vamos entender EXATAMENTE do que estamos falando.

Fake News são literalmente “notícias falsas” ou, como a Universidade de Oxford chamou, “pós-verdade”. São em geral manchetes e artigos postados por sites falsos, feitos só pra essa finalidade. “Mas espera, precisa criar um temo novo em inglês pra isso? Notícias falsas existem desde que o mundo é mundo”. Sim, é verdade. Mas quando falamos de Fake News estamos falando de um problema um pouco maior do que a morte fictícia do Renato Aragão.

“Ok, então explica logo”. Beleza. Como eu dizia, as Fake News são notícias criadas por sites falsos principalmente para gerar lucro. Como você deve saber, sites ganham dinheiro vendendo espaço para anúncios publicitários. Quanto mais acessos o site recebe, mais caro ele pode cobrar pelos anúncios (um mecanismo seguido até por empresas como o Facebook).

Acontece que a internet desenvolveu nas pessoas uma cultura de atirar primeiro e perguntar depois. Basta uma manchete bem chocante para fazer com que os mais diversos sentimentos subam à cabeça do indivíduo e a notícia seja compartilhada junto com uma série de opiniões muitas vezes radicais e agressivas.

Você já deve ter percebido o problema, certo? Juntando o útil ao agradável, alguém teve a ideia de tirar dinheiro desses revoltados precoces. Mas nem de longe essa trambicagem é trabalho de amador. Os tais sites falsos são muito bem construídos, desde o design até o nome. Para você ter uma ideia, alguns dos maiores sites de Fake News listados pela Associação dos Especialistas em Políticas Públicas de São Paulo (AEPPSP) se chamam “Diário do Brasil”, “Gazeta Social” e “Jornal Livre”. Pelo nome você poderia muito bem dizer que são sites de notícias de verdade, não é?

Então se um usuário de internet vê uma manchete que considera absurda mas palpável, em um site que parece verdadeiro e, principalmente, essa notícia está sendo compartilhada por seus amigos, ele não precisa de mais nada para replicar aquilo como verdade também. Ainda segundo a AEPPSP, os algoritmos utilizados pelo Facebook fazem com que usuários tendam a receber informações que reforçam seu ponto de vista, formando bolhas que juntam quem pensa igual e afastam quem pensa diferente.

“Tá, eu já entendi, tem gente espalhando notícias falsas pra ganhar dinheiro. Mas o que eu tenho a ver com isso?”. Calma que eu vou chegar lá. Essa onda de Fake News mudou a atitude das pessoas que buscam notícias na internet. Uma pesquisa da consultoria Kantar mostra que as redes sociais foram as plataformas de informação que mais perderam credibilidade com esse movimento: 58% dos oito mil entrevistadas na pesquisa disseram que agora confiam menos nas informações das redes. Em compensação, a reputação dos jornais, revistas e canais de TV e rádio se mostrou resistente.

Só pra completar, um estudo chamado “Trust in News“ (Confiança na Notícia), mostrou que 77% dos entrevistados que buscam notícias em meios digitais agora confiam igualmente ou mais nos jornais impressos e nas revistas. Em relação aos canais de TV que transmitem notícias 24 horas, esse índice chega a 78%.

Então sabemos que o esquema das Fake News precisa de anúncios publicitários para funcionar e sabemos também que essas notícias impactam diretamente nas opiniões das pessoas. Logo, podemos perceber que a publicidade tem um certo papel neste jogo. Ter pleno conhecimento de onde colocamos nossos anúncios e qual é de fato o público de nossas campanhas passa a ser agora, além de uma ferramenta de marketing, uma questão ética e moral. Como comunicadores não podemos ser responsáveis por patrocinar a desinformação e a desonestidade.

E não estamos falando em desonestidade em baixa escala. No ano passado, nos Estados Unidos e na França, as Fake News provocaram impactos significativos nas campanhas de Hillary Clinton e Emmanuel Macron, respectivamente. Em 2018 acontecem as eleições no Brasil, e não dá para não pensar que isso pode e provavelmente vai acontecer por aqui também.

Em 2017 o Facebook anunciou que está desenvolvendo políticas para combater as notícias falsas e, no Brasil, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Gilmar Mendes, disse que elas não podem ser menosprezadas. Enquanto o mundo ainda engatinha no combate contra as Fake News, o que nos resta é ficarmos preparamos e atentos para esse movimento que está contra todos nós.

Aqui estão cinco dicas básicas para identificar Fake News em geral e que merecem ser compartilhadas com os extremistas de Facebook e as tias de WhatsApp:

1 – Cuidado com as cópias. Além dos sites obviamente falsos, muito outros sites imitam logos e fontes de canais de notícia conhecidos para induzir o leitor ao erro.

2 – Cheque as fontes. A notícia é bombástica, mas não fala sobre a investigação ou não tem assinatura de quem escreveu? É mentira.

3 – Desconfie do excesso de propagandas. Como essas sites vivem do dinheiro de anunciantes e podem cair a qualquer momento, eles tendem a exagerar nas propagandas o máximo possível.

 

4 – Se junto da informação vem um pedido como “Repasse” ou “Compartilhe”, provavelmente ela é falsa. Uma notícia verdadeira é capaz de promover sozinha essa vontade no leitor.

 

5 – Fake News são sensacionalistas. Se a notícia quer fazer muito barulho e usa adjetivos em excesso, você já sabe.

 

Referências (Porque não somos Fakes):

Estadão. Política. Entidades reagem a ação federal no combate a 'fake news'. Disponível em: http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,entidades-reagem-a-acao-federal-no-combate-a-fake-news,70002073045

Tecmundo. Fake News: como identificá-las? #FINITMG. Disponível em: https://www.tecmundo.com.br/redes-sociais/123891-fake-news-identifica-las-finitmg.htm

O Globo. Onda de 'fake news' mudou a forma de consumir notícias online, diz Kantar. Disponível em: https://oglobo.globo.com/economia/onda-de-fake-news-mudou-forma-de-consumir-noticias-online-diz-kantar-22015863

Isso É Notícia. Estudo da USP embasa lista dos 10 maiores sites de "falsas notícias" no Brasil. Disponível em: https://www.issoenoticia.com.br/artigo/projeto-da-usp-lista-10-maiores-sites-de-falsas-noticias-no-brasil

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